sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Comunicare Segurança Alimentar

SIRVA-SE QUASE À VONTADE Mitos alimentares sobrevivem à ciência e abastecem imaginário popular Difícil encontrar quem nunca tenha ouvido a frase “não misture determinados tipos de alimentos, porque faz mal”. Pode ser manga com leite ou uva com melancia, não importa, o alerta é sempre o mesmo.Apesar da autoridade de mães e avós, há tantas e tantas gerações, essas proibições não passam de mitos alimentares, sem qualquer fundamento científico. Mitos são representações de fatos ou personagens reais exagerados pela imaginação popular ou pela tradição. Essas crendices surgem de todos os lugares. Muitas vezes, estão ligadas à religião ou a culturas regionais. E sobrevivem a tudo, inclusive nas horas indesejadas, quando se está pronto para degustar o prato perfeito. - No estômago não tem prateleira! Batata frita com sorvete, arroz com ketchup, melancia com vinho, entre outras especialidades dos gastrônomos mais criativos deste mundo, foram algumas das combinações citadas para a equipe do Comunicare. Mas a palavra dos especialistas é outra: a ingestão de alimentos diferentes dificilmente gera problemas. O que pode acarretar desconfortos é a validade de algum produto. Outro problema pode estar no estômago, nem sempre preparado para receber a mistura de ácidos ou gorduras.Mas nem todo mito deve ser descartado. É o caso da afirmação de que margarina é menos saudável do que manteiga. Essa recomendação faz sentido, pois estudos comprovam que a manteiga - que resulta do creme de leite batido - é rica em gordura saturada. A margarina- obtida da hidrogenação de óleos vegetais - é fonte de gordura trans. Faça sua escolha. A nutricionista Rosa Maria Piekarski afirma que, por ser livre de colesterol, a margarina é mais bem-vista pelos consumidores, que a escolhe levando em conta ainda a adição de vitaminas. Mas por ser hidrogenado, esse creme vegetal contribui para o aumento do colesterol ruim (LDL) e a diminuição do bom (HDL). Há opções mais saudáveis para substituir a margarina e a manteiga, dupla quase que indispensável nos cafés da manhã. Uma opção são os requeijões e queijos light. Outro vilão da alimentação são os carboidratos consumidos à noite. Por serem responsáveis em oferecer energia extra, não é aconselhado o consumo após as 18 horas. “Depois desse horário, o metabolismo diminui e a queima de energia f i c a difícil”, conclui Rosa. Neste caso, entra outro mito: o de que comer muito à noite resulta em pesadelos. Não é a comida, e sim o desconforto físico, provocado pelo excesso de alimentos, que pode ocasionar este tipo problema. Duro vai ser convencer sua avó. O ENIGMA DA MANGA A origem dos mitos alimentares é incerta. É provável que muitos deles tenham se formado com a cultura portuguesa e se propagado nas colônias ibéricas, desprovidas de médicos, o que favoreceu a proliferação de crendices. Manga com leite: A mistura de manga com leite não causa indigestão nem faz mal à saúde. Essa crença se perpetuou na história, a partir da Escravidão.Como os senhores de engenho alimentavam os escravos apenas com leite, eles acabavam comendo também as frutas da fazenda. Quando descobertos, os senhores inventaram o mito para impedir que os escravos consumissem as mangas da propriedade.Daquele tempo para cá, esse mito caiu no consenso popular e virou uma crença que permanece até hoje. SEM BARRIGA DE CERVEJA A dilatação da zona abdominal pode ocorrer com o consumo exagerado de cerveja, assim como com o consumo excessivo de qualquer outro alimento. Uma latinha de cerveja possui, em média, 7 Kcal por grama de bebida, o que é bastante.Não se deve culpar a cerveja pelo aumento da barriga, mas sim culpar o consumo abusado. A cerveja está socialmente ligada ao convívio e à confraternização, o que propicia o consumo excessivo. Outros fatores relacionados ao aumento de peso são os acompanhamentos que, em geral, são petiscos de alto valor calórico. O consumo em excesso de qualquer alimento ou bebida muito calórica, principalmente à noite, é a principal responsável pela dilatação do abdome. Maus hábitos alimentares e a falta de exercícios físicos também contribuem para isso.