domingo, 9 de março de 2008
Janelas da Cultura Local
A doutora em ciência da informação Isa Maria Freire publicou parte da pesquisa de inclusão digital, que está sendo realizada na Escola Municipal Maria Ilka, em Quissamã, Rio de Janeiro.
A doutora Isa Maria defende que o objetivo dos cientistas da informação seria o de intermediar pessoas, grupos e nações, através do desenvolvimento e conhecimento, e produzir conhecimento proveitoso para si e para o ambiente onde vive.
A informação sempre foi importante no desenvolvimento sociocultural da humanidade, inclusive a sociedade contemporânea foi qualificada como sociedade da informação. A doutora cita que os espaços de informações, como a Internet, não só permitem a vinculação comunicacional, mas também, providencia sua conexão a esferas abstratas, distantes e extensas, de modo a favorecer a generalização social. Isso quer dizer que a Internet assume um espaço de informação que, antes de designar espaços físicos, remete a relações simbólicas de sociabilidade, comunicação e de saber.
Na nossa sociedade globalizada, a idéia de identidade unificada e estável está sendo fragmentada, sendo composta não só de uma, mas de várias identidades, algumas vezes contraditórias ou não resolvidas. A metáfora “aldeia global”, criada pelo sociólogo Marshall McLuhan, e não citada como sendo dele na pesquisa da doutora, simboliza a homogeneização cultural. Esse problema tornou-se alvo de constante preocupação para governos e sociedades do mundo todo, pois a noção de homogeneidade cultural envolve a idéia de perda ou enfraquecimento das identidades culturais locais.
Isa Maria após apresentar fatores de perda de identidade e sociabilização simbólica, causada pela Internet, defende o ciberespaço como representante de toda uma riqueza de possibilidades para troca de conhecimento. Além de defender a estratégia da pesquisa de inclusão, ressalva a liberdade do usuário do conteúdo on-line a escolher construir seus próprios estoques de informação.
A inclusão digital numa escola pública é muito válida, mas a sede por conhecimento e abertura a um novo mundo de informação pode acabar sendo prejudicial às crianças, que não possuem acompanhamento qualificado. No mundo de hoje já não podemos validar tudo que lemos nos livros, tão pouco conceber como autêntico o que o mundo virtual, em que qualquer indivíduo pode armazenar pensamentos, interesses, desejos, loucuras, críticas, etc., salva sem qualquer restrição. O mundo está caminhando para a homogeneização e ficando desfigurado, tudo isso sem qualquer limite. O importante para a o mundo virtual é o armazenamento cada vez maior de vértices do ideal. As crianças de Quissamã, com o pouco senso crítico que têm, não perceberão o lado negativo desse bombardeio de palavras e mundos que aparecerão nas telas do computador da escola, tão pouco os professores que se sentem privilegiados em fazer parte de uma pesquisa de inclusão.
Resenha do artigo escrito por Isa Maria Freire - Janelas da Cultura Local: Abrindo oportunidades para inclusão digital de comunidades.
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